sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pétala

Que não pouse, a noite, como um pássaro perdido e sem direção.
Cada palavra dita pode ser a última a selar esse encontro
A quebrar o encanto
A perder-se no meio do caminho.
Caminho não trilhado, mas que, cuja estrada feita,
Haveria de trazer a mocidade
A boa idade
Do coração
A ser como uma bússola que não aponta para o norte
Mas que acerta na sorte
Na sorte e na esperança
De não ver seus dedos novamente se entrelaçando
E o coração fechado
Escondendo tão bem a chave
Como se estivesse perdida.
Mas não: que não se perca, já que não se acaba.
Não esconda-a tão bem
Pois talvez alguém
Canse de esperar tua procura
Nessa sala escura
Que a vela ilumine e aqueça
Coração tão frio como sua cabeça
Mas não esqueça
Do conforto apreensivo


Raynnara Uchoa Magalhães

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